terça-feira, 6 de março de 2012

O Cobrador




Ele passou a tarde inteira com o pensamento naquele problema, que aos olhos dele eram um problema. Brigou com si mesmo e lutou com outros problemas que também desafiavam seus neurônios. 


Caminhando por uma calçada do centro da cidade, com uma das mãos no bolso e a outra tirando suar do rosto constantemente. Apressado para chegar até a sua condução, que ele mesmo havia estacionado a alguns quarteirões dali. 


Acabará de sair de uma entrevista de emprego. A ultima de muitas outras que já havia feito naquele dia.
Olhava o relógio constantemente e apertava o passo para não perder o horário. Ele estava a mais ou menos 2 horas da sua casa, logo iria escurecer, e ele sabia o que podia acontecer.


Aquela rotina, já era freqüente, realizava aquele ritual todas as manhãs. Desempregado a mais ou menos 14 meses, ele se apertava entre bicos e trabalhos noturnos. Que ele mesmo repugnava. Não gostava de trabalhar no ramo da cobrança, pois arrecadava alguns inimigos, pessoas do ramo. Estava realizando aquele trabalho a mais ou menos um mês, seu receio era evidente, quando andava sozinho após 19:00hs. Só se sentia seguro na sua casa, e também necessitava de chegar em casa antes da esposa, pois não sabia o que o esperava.


Ele estava a cerca de 50k da sua residência, por isso olhava no relógio de forma constante e preocupada. Chegando ao seu destino, um Santana azul escuro, quatros portas, com alguns arranhões na lataria, pneus carecas e o porta-malas amassado. Se deparou com mais aquele problema, e o absorvia meios a tantos outros problemas que já conturbavam a sua cabeça. No mesmo instante lembrava da cena que proporcionou tal estrago. "Um carro preto que atravessou o sinal e veio em direção ao seu carro, onde sua mulher ocupava o assento do passageiro. Ele engatou marcha ré e não olhou pelo retrovisor, atingindo assim uma caçamba, que alguma construtora havia colocado ali de forma irregular. Dentro do carro preto, jovens bêbados que acabavam de sair de um bar, localizado em algum lugar daquele bairro".


Ligou o veiculo e saiu com pressa, olhando para os lados e tendo certeza que podia seguir.  Sua mulher estaria em casa, ha daqui uma hora. Apertava o passo e seguia pela avenida movimentada e em constante agitação. No rádio, tocava seus mp3's favoritos, que haviam sido separados com muito cuidado por ele mesmo. Gostava de ouvir musicas dos anos 60, entre Beatles e Bod Dylan. Era o único jeito dele mesmo tentar relaxar, afinal, vinda de um dia cansativo. Pensava nas cobranças que havia de fazer nos finais de semana. Onde via crimes de tal ângulo, que poderia apodrecer na cadeia por eles. Seu chefe sempre dizia: "No ramo da cobrança, existe dois fatores. Primeiro; nunca, em hipótese alguma ache que o devedor não tem dinheiro, e segunda; nunca saia sem receber". Seu chefe preocupava os pensamentos do novato-cobrador.


O relógio despertava e o homem, apertava o volante do santana, olhando a imensa fila de carros que estava a sua frente. O despertar do relógio significava que sua mulher estava à mais ou menos meia-hora da sua casa, e não daria tempo de chegar antes dela. Pegou no celular e ligou para ela, mas a mensagem de resposta foi imediata: "você não tem credito o suficiente para realizar essa ligação". Havia sido um dia corrido e o dinheiro que poderia ter usado para colocar credito no aparelho, ele usou para beber um suco e comer um salgado no meio do dia. No rádio tocava a musica Help, dos Beatles, e ele desligará o aparelho de forma grosseira e sem paciência. Já não conseguia ouvir mais, devido a preocupação que atormentava sua mente.


Seu pavor era devido a um cliente que não ficou satisfeito com um de seus trabalhos. Uma testemunha tinha conseguido escapar do local da "cobrança". Ela estava armada e chegou de surpresa, um dos cobradores que o acompanhava, tinha sido baleado e ele agradecia a Deus por não ter sido ele. Não suportaria a idéia de deixar sua esposa sozinha, morrer estava fora de cogitação.


Após passar todo o transito, ele chega em seu bairro e engata as marchas como se fosse um daqueles corredores de rally. Com muita pressa e preocupação, ele dobra a esquina da sua residência e vê um carro escuro dobrando a outra esquina. Ele arregala os olhos e atravessa a rua no sentido contra-mão, estacionando o carro na calçada. Sai do veiculo e abre a portão baixo de ferro, que bate contra a grade, caminha até a porta e com a mão, percebe que a mesma se encontra aberta. Ele então passa a mão no rosto, com o olhar já baixo e acarretando lagrimas, grita: - Amooorrrr. Não obtendo resposta, ele então vai até a cozinha e vê a torneira ligada, sobre a mesa, a bolsa da esposa, do jeito que ela costuma deixar quando chega em casa.


Ele então passa a questionar seus feitos, tudo o que havia feito naquele ultimo mês, e com a mãos sobre a mesa e a cabeça baixa, perde perdão a Deus em silêncio. Olha para cima e com olhos raivosos, aperta a toalha que envolve aquela mesa e em seguida questiona o todo poderoso: - Por que?


Nesse mesmo instante, seus ouvidos escutam a voz que ele tanto admirava. 
- Amor, o que foi? 
Não podia entender, soltou a mão da toalha devagar e olhou para o lado. Nesse mesmo instante sentiu o perfume da sua esposa, como se ela tivesse acabado de sair do banho. Não entendendo nada, soltou a toalha e imediatamente foi abraçar-la, e assim pede desculpas. Ela sem entender muita coisa, pergunta o que aconteceu. O homem pálido e com a boca aberta, respondeu gaguejando nas primeiras palavras:
- Nada, nada amor. Ele imediatamente pensa em algo para dizer, pois sua esposa nem sonhava que ele poderia se quer matar uma mosca.
- Eu não agüento mais. Diz ele. - Já estou a mais de um ano procurando emprego e nem sequer uma gota de retorno, eu não consigo mais meu bem, esse trabalho como vigia noturno está me matando. Ela então o abraça e pede para que ele tenha paciência.


Ele abre os olhos e pensa: o que havia acontecido, quem era que estava naquele carro. Jurou para si mesmo que não faria mais aquelas cobranças.  


1° Final:
Ele Reflete sobre o acontecido e vê que, Deus havia dado mais uma chance para ele. Onde deveria sumir dali com sua esposa e agradecer todos os dias por Ele ter te dado mais uma chance de recomeçar.


2° Final:
Ele entende que pode estar em perigo e que talvez aquele carro tenha sido somente um carro virando a esquina. Sua mulher poderia ter deixado a porta aberta, e colocando a bolsa sobre a mesa, foi ao banheiro ou ao quarto trocar de roupa. Atesta a teoria e acalma-se. Pensando em uma maneira de manter sua família segura.


Pedido:
Eu estou pensando em continuar a historia, o pensamento. Mas gostaria de escolher um final. Por isso se alguém quiser opinar eu vou continuar do final escolhido.
Vlw  

2 comentários:

Acáci@ Estrada (Árvore de Outono ) disse...

Moço, acabei de ler o conto e também de acordar. Pensei que esse cara abusa da sorte dai o seegundo final seria interessante. Ele agiria como um cético e partir disso começaria a observar mais a esposa, possivelmente a ideia de correrem perigo se fará presente, mas pelo que ele fez com o carro acredito que ele seja um pouco abusado e desafia a sorte. Só espero que a mulher dele não seja traira pq se for melhor q seja amante do inimigo dele, assim potencializa a mágoa rsrsr. Beijos, tá ótimo!

Beijos.

José María Souza Costa disse...

Danilo, és tu, fenomenal.
Deixo cá, o meu sentimento de prazer e contentamento por ler-te, em um conto. Mas, deixo o final para voce decidí, quero apenas ser o teu leitor, e ser surpreendido com o desfecho do texto.
Abraços e felicidades, pra qvoce, querido.

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