As vezes começamos do jeito errado, mas
no final o otimismo permite, nos ajuda a continuar a busca pelo certo, sempre com
uma gota a mais para beneficio próprio é claro, sorrindo enquanto outros
choram. O ideal seria pensar em todos de forma plaina, igual, e não como em uma
balança. A verdade é que isso não acontece, podem-se haver casos, claro, as exceções
ainda existem e no mundo real isso é apenas uma mera coincidência.
O ideal é começar pelo começo, o
principio na maioria das vezes pode ser incerto, e isso acaba se tornando um
enigma. Mas reforçando o pensamento, buscando lembranças, consigo buscar
sentidos. Acredito que tenha sido pelos meus quinze anos. A era das flores
adolescentes, hormônios, lagrimas, angustias, sorrisos, olhares, onde tudo é um
ápice de emoções, de descobertas, enfim; no final das contas existe uma senhora
culpada e causadora de todos esses transtornos juvenis, e essa tinha um nome
fascinante e atraente como a própria, singular e original, eu particularmente
adorava, gostava, achava perfeito para seu rosto e seu humor que acompanhava lindos
cabelos loiros e sutilmente lisos, definitivamente atraente, bastante atraente.
Poderia pensar que apenas a achava tão perfeita, mas não, de jeito nenhum, ela sempre
havia sido muito cobiçada, por olhares que cruzavam seus olhos nos corredores estreitos
da escola, na sala de aula, onde eu mesmo me pegava fazendo isso, vivia a
observar seu nariz pequeno, sua boca rosada, queixo fino, bochechas levemente
avermelhadas pelo fato de viver sorrindo, dentes a mostra; brancos. Suas
bochechas tinham aquele furinho por assim dizer charmoso, definitivamente era
um charme, e o melhor de tudo, lindos e sublimes olhos verdes, grandes, vivos,
sempre atentos. Retribuía olhares a quem conquistasse sua atenção, permanecendo
com este vidrado até a desistência daquele que teimava em continuar olhando,
gostava de jogar, sabia o poder que tinha e sabia usa-lo. O melhor disso é que
a gente tinha uma amizade, tinha algo até mais que isso, num sei o real motivo
de não ter dado em nada. Meus
estranhos hábitos; sempre tímido e demonstrando que estaria ali na hora em que
ela precisasse, acredito que foram colaboradores, talvez a mesma idade
atrapalhasse também; mulheres são sempre mais velhas psicologicamente que os
homens nessa fase, isso é fato. Talvez pensasse que eu fosse infantil ou apenas
um amigo e nada além disso, sendo que também existe aquela “magia” que faz a gente imaginar que a adolescência nunca vai acabar,
que sempre vão existir amores, olhares, falta de preocupação e falta de tomar
iniciativas. Dentre todos esses episódios, o que mais me interessa é que nós
nunca tivemos nada, nem um romance ou quem me dera; um simples e inocente beijo.
Apenas uma coisa suprima todo o resto, que a meu ver era especial e só se
consegue sentir nessa fase; a sensação única e singular de “gostar de alguém”, sentimento inocente e novo que só vem uma vez. Não
há cobrança ou ciúmes, apenas vontade de estarmos perto, isso supre o desejo de
algo mais.
A lembrança é muito agradável, nos ajuda a
recordar não só de momentos ou pessoas, mas de sentimentos e modos que não se sente
quando se está consolidado ao um novo meio de vida.
A verdade é uma só; essa foi à maneira
que deixei uns dos meus mais inocentes amores ir embora, sem malicia ou
pretensão, apenas por que tinha que ser assim, junto dela eu deixei os meus
vídeos games, meus amigos de sala de aula, meu quarto, meus CDs, minha
bicicleta dentre tantas outras coisas que o tempo absorve. Não é evidente o que
devemos de fato estar fazendo em relação a isso pois quando nos damos conta, só
estamos com saudade, e mais nada. No geral; o passado no fundo deixa as pessoas
mais felizes, não é só dela que sinto falta, ou do primeiro olhar que trocamos
meio aos corredores da escola, é de um todo, de uma época, que no meu
pensamento foi exclusiva.
A nostalgia é o sentimento mais agradável
que consegue sentir; deixa uma felicidade frágil e levanta um sorriso no rosto
casando pelo tempo. Confesso que se eu pudesse, daria essa infância para meus
filhos.
(Danilo Henrique – 31/10/2010)

Um comentário:
Resgate de boas lembranças é coisa que deve ser mesmo compartilhada. Belo texto, o primeiro amor tem sempre aquele manto angelical. Escrevi algo sobre a tal temática, depois te passo o link caso queira ler.
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