Ela ficou encostada no parapeito com um dos cotovelos, enquanto a outra mão segurava aquela taça de forma delicada e experiente. Eu fui o primeiro a falar, perguntado seu nome, claro.
- Eu prefiro conhecer as pessoas primeiro, para depois saber se são agradáveis o bastante para saberem meu nome – disse assim que acabei de fazer a pergunta.
- Pois qual seria o motivo de tanto mistério - perguntei.
- Nada com a sua pessoa, apenas me sinto melhor se for assim, tudo bem? – Ela disse isso de forma simpática e com o tom de voz sutil que nem aparentou esnobe. Pelo fato de estar ali naquele ambiente. Eu confesso que logo imaginei a filha de algum dono de alguma multinacional, sem sal e sem açúcar, portadora apenas de uma beleza atrativa, nada mais.
Eu fiquei sem muita opção, pois estava em uma situação difícil, sozinho com aquela garota, sem assunto e sem intimidade o suficiente para quebrar o gelo. Olhei para o relógio, 03:00hs, a festa não estava mais tão animada assim, algumas pessoas já haviam ido embora e começava a aparecer os que tinham bebido de mais, falando e rindo alto, com as gravatas afrouxadas e os copos sempre cheios.
- Você não é muito fã de festas assim, estou certa? – perguntou ela.
- Na verdade não, venho por que preciso sabe. – a conversa começava a fluir e nós perdemos alguns momentos se conhecendo, dialogando. Eu não podia entender o interesse dela em mim. Eu não era rico, não tinha influencia e nem status. Fiquei em conflito interno, com o pensamento no real motivo daquela linda garota se interessar em minha pessoa. Mas no auge da conversa, analisando a situação, achei melhor aproveitar, deixar acontecer e passar a pensar menos e fazer mais.
- Hoje a noite está linda, você não acha? – comentei.
- Tem razão, a noite está perfeita – ela apoiada no parapeito olhando para o alto continuou.
- Você sempre vem a estas festas? – perguntei.
- Sim, sempre que posso!
- Estranho, eu também tenho o costume de estar sempre presente, mas nunca te vi – completei.
- Você é muito distraído – ela disse me olhando e colocando o cabelo atrás das orelhas - Eu sempre vejo você, cumprimentado pessoas, bebendo seu Martini e olhando no relógio a cada meia hora.
- Verdade!? – Eu disse totalmente espantado. Logo eu, detalhista e observador não tinha reparado tamanha beleza me observando, se prestando a me analisar e tomar a liberdade de vir até mim, com interesses que só Deus sabe. Realmente tinta sido o ponto alto da noite e não ia ser superado fácil.
- Você sempre esteve preocupado em agradar os outros, em esperar o tempo passar para poder ir embora, que não se prestou a alguns detalhes. – ela me surpreendia a cada palavra proferida, era difícil imaginar aquela mulher, bebendo aquele champanhe e se dando ao capricho de estar me observando.
Ela deixou sua taça em cima do parapeito, me olhou, deu um sorriso, e chegou bem perto. Um pouco mais baixa que eu, mas muito pouco devido ao salto alto. Dessa vez foi até meu ouvido e disse baixinho.
- Por que você não me beija?
Eu já não sabia o que fazer, estava meio a um bombardeio de situações e pensamentos que por final não me ajudaram em nada, era surpreendido a todo instante. Ela então direcionou seu olhar para meus lábios e fez o que eu queria ter feito assim que a vi. Me beijou, de forma romântica e sexual, um beijo memorável acompanhado de um perfume suave, uma pele macia, uma verdadeira conquistadora. Eu com as mãos na sua cintura, pode sentir sua respiração mais forte. Assim que decidiu parar, abaixou a cabeça e foi até sua taça de champanhe que estava vazia.
- Vou buscar mais champanhe, você quer alguma coisa?
- Não obrigado. Posso esperar você aqui? – perguntei.
Ela não disse nada, só deu um sorriso, pegou a taça e foi em direção a festa que já não estava tão cheia assim. Enquanto eu fiquei ali parado, pensando no rumo que as coisas tomariam; no final das contas aquela festa aparentemente chata e sem graça, havia virado umas das melhores que já fui.
Olhei no relógio e já havia se passado um bom tempo, desde que ele entrou para buscar sua bebida. Olhei para o salão, pouquíssimas pessoas e garçons já não estavam servindo. Procurei no salão com os olhos, não estava lá. Eu devia ter adivinhado, ela foi embora na mesma hora em que disse que buscaria o tal do champanhe.
Para mim não restava muita opção, não sabia o nome dela, ou qualquer outra coisa que pudesse me levar até ela. Achei melhor ir para casa, assistir o jornal da noite.
(Danilo Henrique)
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