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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 0 comentários

Causos #1

Em uma noite quente e tendenciosa, dois corpos se envolvem e meio a carinhos e apertos ela pergunta?
- Você trouxe?
- Calma, não fala nada!
Ela então se cala e fecha os olhos retribuindo os beijos de quem a quer naquele momento. Passado poucos segundos, ela novamente questiona:
- Você trouxe ou não?
- Nossa, você vai fica uma ferra comigo linda. Diz o moço já sem esperanças de continuar aquele ritual já quase consumado.
- Não acredito que você não trouxe, nossa, da pra ver o quanto você me quer, eu não faço sem e já deixo avisado.
- Sabia que você iria dizer isso. Desanimado e sem esperanças de continuar, ele desvia o olhar enquanto ela o olha desanimada, virando-se e deixando seu pescoço a mostra e seu corpo vulnerável.
Ele simplesmente acomoda-se por de trás daquela beldade e morde sua orelha, aperta suas coxas e atiça seus estímulos mais sacanas. Ela em total desconforto por saber que mais um pouco daquilo a cegaria, com ou sem o que o rapaz ficou de trazer iria acontecer e ela já não podia fazer nada para evitar tanta vontade e voracidade que exalava de ambos os corpos.
segunda-feira, 12 de março de 2012 4 comentários

Sonhando Acordada



Ela encontrava-se deitada em sua cama e por conta disso, refletia sobre o dia que acabará de acabar. Questionava-se sobre um fato ocorrido algumas horas antes; onde por falta de dinheiro, acabou não obtendo aquilo que queria. Era algo que ela própria julgava importante, e por conta disso, tratava aquilo como um problema. Com as mãos sobre o peito e a cabeça sobre o travesseiro, refletia em possibilidades de ficar rica, situação essa que ela avaliava importante. Pensava em contas atrasadas e sua preocupação dilatava seu sono, fazendo com que olheiras aparecem ao longo de várias noites perdidas. Sonhava em viajar, fazer compras, conhecer pessoas e ser alguém na vida, almejava isso como sendo algo que não podia fazer falta na sua ainda curta vida até o momento. Lógico que ela, sempre educada e esforçada já tinha renda, tinha um salário e vivia bem com suas contas que não eram tão atrasadas assim. 

Revirava-se na cama e olhava para o rádio-relógio que se encontrava no criado mudo. Havia ganhado o aparelho de um namorado antigo, lembrava dele quando via o relógio, mas isso não a perturbava, gostava de chamar-lo de relógio do ex-namorado. Dava nome para as varias situações que passava. Aquela situação em particular, que estava passando naquele momento, chamava de; "sonhando acordada". Ali no seu quarto, com paredes brancas e frias, se imaginava em viagens, lugares e passeios que eram seu ponto de fuga. Seus pensamentos a levavam até paisagens e roupas que poderia vir a ter se a caso conseguisse o tal do dinheiro. 

Trabalhava em um escritório de contabilidade, não era formada, mas seus muitos anos no trabalho lhe proporcionaram conhecimento no ramo. Sempre disposta e pontual, não perdia um dia se quer do trabalho. Detestava ter que ir a um compromisso que não fosse aquele que ela havia se acostumado a fazer. Não se consultava com médicos, não almoçava fora e não levava o carro para a revisão já há algum tempo. Sua rotina era a mesma há alguns anos, contudo, ainda gostava de realizar a árdua tarefa de levantar cedo, tomar seu café preto e dirigir até o trabalho, sempre pelo mesmo caminho é claro, já havia feito às contas, e o caminho que percorria todo santo dia era mais econômico e mais rápido também. Os "bons dias" que desejava, eram sempre para as mesmas pessoas; o radialista da estação que ela escutava dentro do veiculo, seus companheiros de escritório e os clientes que adentravam o estabelecimento durante toda a manhã.

O rádio-relógio iluminava o quarto de forma suave e aceitável, auxiliando assim sua visão que conseguia ver um pouco do chão e também do seu guarda-roupa com uma das portas abertas. Faltava coragem para levantar e fechar.

Já era tarde, e seu sono tinha resolvido ficar ausente naquela noite. Rolava na cama, analisando varias maneiras de conseguir dinheiro extra, afinal, o tempo corria e uma frase que ela sempre estava acostumada a dizer para si mesma, como uma forma de filosofia pessoal, adotada por ela mesma inconscientemente; "o mundo gira, e não podemos nos dar ao luxo de ficar parado, esperando o tempo passar". Essa frase estava presente nos seus pensamentos, ela se cobrava pelo fato de dormir, tempo esse que ela poderia estar fazendo algo para ganhar dinheiro, em vez de simplesmente dormir. Raciocinava sobre aquela frase pessoal e admitia que o stress havia tomado conta do seus dias. Sua cobrança com si própria era evidente e preocupante. Cobrava-se tanto que se esforçava para ser a melhor em tudo o que fazia. No trabalho, afazeres domésticos, no transito, ela não perdia horários e compromissos, havia uma ânsia em ser competitiva, e essa ânsia era o motivo pelo qual ela estava sozinha, somente um rádio-relógio lhe fazia companhia aquela noite, assim como tantas outras. A solidão não a incomodava, pelo menos não incomodava tanto como a idéia de ficar rica. Julgava o dinheiro proprietário de coisas como: companhia e felicidade, coisas que poderia obter a qualquer hora em qualquer lugar se tivesse o tal do dinheiro. Mas ainda assim admitia uma certa falta de calor humano. 

Finalmente quando pega no sono, acaba sonhando com os pensamentos que reviram sua cabeça, como em um passe de mágica, ela consegue se observar no meio de pessoas com sorrisos forçados e bajulação evidente para com a sua pessoa, como se ela fosse portadora de algo que chamasse a atenção dos outros, algo que ela sabia o que era. Nesse momento, dentro do seu quarto, em sono já profundo, um sorriso real e discreto se forma em seu rosto, procedente de um suspiro leve e calmo. De fato ela está feliz naquele momento com os olhos fechados, dormindo e sonhando dentro do seu quarto branco e frio, apenas um rádio-relógio como testemunha.

Sem que ela soubesse, seus maiores desejos entram em seus sonhos e permitem que ela seja feliz naqueles últimos momentos da madrugada, antes de voltar para a realidade, para os "bons-dias" e para o trajeto que percorre indo ao trabalho. 

Mas percebendo tal ingenuidade, o rádio-relógio faz questão de despertar de forma grosseira e gritante tocando um bip bastante familiar para aqueles ouvidos; tirando ela do mundo dos sonhos e a devolvendo ao mundo real. Indisposta e com olheiras tão escuras que a própria maquiagem não consegue esconder, simplesmente segue sua rotina; desliga o despertador, tira seu baby-doll e segue até o banheiro, liga o chuveiro e se permite despertar debaixo da água quente e gostosa; escova os dentes, se veste, toma seu café preto, liga seu carro e mais uma vez faz seu trajeto até o trabalho, abraçando assim mais um dia. Afinal como ela sempre costuma dizer; "o mundo gira, e não podemos nos dar ao luxo de ficar parado, esperando o tempo passar”.

terça-feira, 6 de março de 2012 2 comentários

O Cobrador




Ele passou a tarde inteira com o pensamento naquele problema, que aos olhos dele eram um problema. Brigou com si mesmo e lutou com outros problemas que também desafiavam seus neurônios. 


Caminhando por uma calçada do centro da cidade, com uma das mãos no bolso e a outra tirando suar do rosto constantemente. Apressado para chegar até a sua condução, que ele mesmo havia estacionado a alguns quarteirões dali. 


Acabará de sair de uma entrevista de emprego. A ultima de muitas outras que já havia feito naquele dia.
Olhava o relógio constantemente e apertava o passo para não perder o horário. Ele estava a mais ou menos 2 horas da sua casa, logo iria escurecer, e ele sabia o que podia acontecer.


Aquela rotina, já era freqüente, realizava aquele ritual todas as manhãs. Desempregado a mais ou menos 14 meses, ele se apertava entre bicos e trabalhos noturnos. Que ele mesmo repugnava. Não gostava de trabalhar no ramo da cobrança, pois arrecadava alguns inimigos, pessoas do ramo. Estava realizando aquele trabalho a mais ou menos um mês, seu receio era evidente, quando andava sozinho após 19:00hs. Só se sentia seguro na sua casa, e também necessitava de chegar em casa antes da esposa, pois não sabia o que o esperava.


Ele estava a cerca de 50k da sua residência, por isso olhava no relógio de forma constante e preocupada. Chegando ao seu destino, um Santana azul escuro, quatros portas, com alguns arranhões na lataria, pneus carecas e o porta-malas amassado. Se deparou com mais aquele problema, e o absorvia meios a tantos outros problemas que já conturbavam a sua cabeça. No mesmo instante lembrava da cena que proporcionou tal estrago. "Um carro preto que atravessou o sinal e veio em direção ao seu carro, onde sua mulher ocupava o assento do passageiro. Ele engatou marcha ré e não olhou pelo retrovisor, atingindo assim uma caçamba, que alguma construtora havia colocado ali de forma irregular. Dentro do carro preto, jovens bêbados que acabavam de sair de um bar, localizado em algum lugar daquele bairro".


Ligou o veiculo e saiu com pressa, olhando para os lados e tendo certeza que podia seguir.  Sua mulher estaria em casa, ha daqui uma hora. Apertava o passo e seguia pela avenida movimentada e em constante agitação. No rádio, tocava seus mp3's favoritos, que haviam sido separados com muito cuidado por ele mesmo. Gostava de ouvir musicas dos anos 60, entre Beatles e Bod Dylan. Era o único jeito dele mesmo tentar relaxar, afinal, vinda de um dia cansativo. Pensava nas cobranças que havia de fazer nos finais de semana. Onde via crimes de tal ângulo, que poderia apodrecer na cadeia por eles. Seu chefe sempre dizia: "No ramo da cobrança, existe dois fatores. Primeiro; nunca, em hipótese alguma ache que o devedor não tem dinheiro, e segunda; nunca saia sem receber". Seu chefe preocupava os pensamentos do novato-cobrador.


O relógio despertava e o homem, apertava o volante do santana, olhando a imensa fila de carros que estava a sua frente. O despertar do relógio significava que sua mulher estava à mais ou menos meia-hora da sua casa, e não daria tempo de chegar antes dela. Pegou no celular e ligou para ela, mas a mensagem de resposta foi imediata: "você não tem credito o suficiente para realizar essa ligação". Havia sido um dia corrido e o dinheiro que poderia ter usado para colocar credito no aparelho, ele usou para beber um suco e comer um salgado no meio do dia. No rádio tocava a musica Help, dos Beatles, e ele desligará o aparelho de forma grosseira e sem paciência. Já não conseguia ouvir mais, devido a preocupação que atormentava sua mente.


Seu pavor era devido a um cliente que não ficou satisfeito com um de seus trabalhos. Uma testemunha tinha conseguido escapar do local da "cobrança". Ela estava armada e chegou de surpresa, um dos cobradores que o acompanhava, tinha sido baleado e ele agradecia a Deus por não ter sido ele. Não suportaria a idéia de deixar sua esposa sozinha, morrer estava fora de cogitação.


Após passar todo o transito, ele chega em seu bairro e engata as marchas como se fosse um daqueles corredores de rally. Com muita pressa e preocupação, ele dobra a esquina da sua residência e vê um carro escuro dobrando a outra esquina. Ele arregala os olhos e atravessa a rua no sentido contra-mão, estacionando o carro na calçada. Sai do veiculo e abre a portão baixo de ferro, que bate contra a grade, caminha até a porta e com a mão, percebe que a mesma se encontra aberta. Ele então passa a mão no rosto, com o olhar já baixo e acarretando lagrimas, grita: - Amooorrrr. Não obtendo resposta, ele então vai até a cozinha e vê a torneira ligada, sobre a mesa, a bolsa da esposa, do jeito que ela costuma deixar quando chega em casa.


Ele então passa a questionar seus feitos, tudo o que havia feito naquele ultimo mês, e com a mãos sobre a mesa e a cabeça baixa, perde perdão a Deus em silêncio. Olha para cima e com olhos raivosos, aperta a toalha que envolve aquela mesa e em seguida questiona o todo poderoso: - Por que?


Nesse mesmo instante, seus ouvidos escutam a voz que ele tanto admirava. 
- Amor, o que foi? 
Não podia entender, soltou a mão da toalha devagar e olhou para o lado. Nesse mesmo instante sentiu o perfume da sua esposa, como se ela tivesse acabado de sair do banho. Não entendendo nada, soltou a toalha e imediatamente foi abraçar-la, e assim pede desculpas. Ela sem entender muita coisa, pergunta o que aconteceu. O homem pálido e com a boca aberta, respondeu gaguejando nas primeiras palavras:
- Nada, nada amor. Ele imediatamente pensa em algo para dizer, pois sua esposa nem sonhava que ele poderia se quer matar uma mosca.
- Eu não agüento mais. Diz ele. - Já estou a mais de um ano procurando emprego e nem sequer uma gota de retorno, eu não consigo mais meu bem, esse trabalho como vigia noturno está me matando. Ela então o abraça e pede para que ele tenha paciência.


Ele abre os olhos e pensa: o que havia acontecido, quem era que estava naquele carro. Jurou para si mesmo que não faria mais aquelas cobranças.  


1° Final:
Ele Reflete sobre o acontecido e vê que, Deus havia dado mais uma chance para ele. Onde deveria sumir dali com sua esposa e agradecer todos os dias por Ele ter te dado mais uma chance de recomeçar.


2° Final:
Ele entende que pode estar em perigo e que talvez aquele carro tenha sido somente um carro virando a esquina. Sua mulher poderia ter deixado a porta aberta, e colocando a bolsa sobre a mesa, foi ao banheiro ou ao quarto trocar de roupa. Atesta a teoria e acalma-se. Pensando em uma maneira de manter sua família segura.


Pedido:
Eu estou pensando em continuar a historia, o pensamento. Mas gostaria de escolher um final. Por isso se alguém quiser opinar eu vou continuar do final escolhido.
Vlw  
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011 11 comentários

Durante Uma Festa


Era entre 01:30hs e 02:00hs da madrugada, aquela festa estava me entediando. Eram sempre as mesmas coisas; pessoas forçando sorrisos e se cumprimentando sem nem ao menos se conhecerem. Realmente eu preferia estar em casa assistindo a um jornal da noite ou até mesmo um bom filme, invés de estar aqui, nesse lugar. Estava me sentindo meio deslocado, sem companhia. 
É uma dessas festas de alta classe, gente puxando o saco e no final das contas eu tinha que estar ali, poderia me considerar um desses puxa sacos, afinal eu gostaria muito de alcançar a diretoria da empresa e não via outro modo, além é claro de trabalhar muito, era necessário freqüentar ambientes sociais, se destacar meio a tantos outros com interesses semelhantes, para não dizer iguais aos meus.
Ao olhar para vários conhecidos, pessoas familiares, pude perceber a presença de uma mulher linda, sozinha, igual a mim; de cabelos escuros, pela semi-clara, olhar penetrante, um batom quase que da cor da boca e muito atraente. Ela sabia que eu a olhava diretamente mas não se incomodou, retribuiu o olhar de forma sutil e feminina, ao mesmo tempo em que direcionava seus olhos em minha direção contornava a boca da taça com um dos dedos e sorria de lado sem mostrar os dentes, em um ritual que durou poucos segundos, até começar a caminhar em minha direção levando a taça que aparentemente estava com champanhe até a boca e continuando até chegar ao meu lado dando a entender que gostaria de conversar.

- Que tal a gente dar um passeio lá fora e nos conhecermos melhor! – ela disse sem rodeios.

Eu estava meio a uma guerra pessoal dentro de mim, com álcool na cabeça e sensações em conflito. Foi muito rápido e provavelmente um jogo de interesses, afinal eu não era ninguém na festa, apenas um funcionário que acompanhava seus “amigos de trabalho” em um evento social, a minha presença não era nada de mais. Ela simplesmente sorriu me olhando nos olhos, certa de que eu iria aceitar seu convite; claro que não recusei. Não me deparo com situações iguais a esta todos os dias, eu tinha que acompanhar aquela mulher.

Fomos até a varanda do lugar, que tinha uma bela vista da entrada principal, com aquele portão grande e alto, arvores bem cuidadas contornando a via de acesso até a mansão, um gramado em volta e até uma fonte que ficava em frente à entrada principal, alguns carros de luxo estacionados ao lado e ao redor da via de acesso. O lugar não deixava o bom gosto a desejar, fazia jus a pessoas que ali estavam.
Ela ficou encostada no parapeito com um dos cotovelos, enquanto a outra mão segurava aquela taça de forma delicada e experiente. Eu fui o primeiro a falar, perguntado seu nome, claro.
- Eu prefiro conhecer as pessoas primeiro, para depois saber se são agradáveis o bastante para saberem meu nome – disse assim que acabei de fazer a pergunta.
- Pois qual seria o motivo de tanto mistério - perguntei.
- Nada com a sua pessoa, apenas me sinto melhor se for assim, tudo bem? – Ela disse isso de forma simpática e com o tom de voz sutil que nem aparentou esnobe. Pelo fato de estar ali naquele ambiente. Eu confesso que logo imaginei a filha de algum dono de alguma multinacional, sem sal e sem açúcar, portadora apenas de uma beleza atrativa, nada mais.
Eu fiquei sem muita opção, pois estava em uma situação difícil, sozinho com aquela garota, sem assunto e sem intimidade o suficiente para quebrar o gelo. Olhei para o relógio, 03:00hs, a festa não estava mais tão animada assim, algumas pessoas já haviam ido embora e começava a aparecer os que tinham bebido de mais, falando e rindo alto, com as gravatas afrouxadas e os copos sempre cheios.
- Você não é muito fã de festas assim, estou certa? – perguntou ela.
- Na verdade não, venho por que preciso sabe. – a conversa começava a fluir e nós perdemos alguns momentos se conhecendo, dialogando. Eu não podia entender o interesse dela em mim. Eu não era rico, não tinha influencia e nem status. Fiquei em conflito interno, com o pensamento no real motivo daquela linda garota se interessar em minha pessoa. Mas no auge da conversa, analisando a situação, achei melhor aproveitar, deixar acontecer e passar a pensar menos e fazer mais.
- Hoje a noite está linda, você não acha? – comentei.
- Tem razão, a noite está perfeita – ela apoiada no parapeito olhando para o alto continuou.
- Você sempre vem a estas festas? – perguntei.
- Sim, sempre que posso!
- Estranho, eu também tenho o costume de estar sempre presente, mas nunca te vi – completei.
- Você é muito distraído – ela disse me olhando e colocando o cabelo atrás das orelhas - Eu sempre vejo você, cumprimentado pessoas, bebendo seu Martini e olhando no relógio a cada meia hora.
- Verdade!? – Eu disse totalmente espantado. Logo eu, detalhista e observador não tinha reparado tamanha beleza me observando, se prestando a me analisar e tomar a liberdade de vir até mim, com interesses que só Deus sabe. Realmente tinta sido o ponto alto da noite e não ia ser superado fácil.
- Você sempre esteve preocupado em agradar os outros, em esperar o tempo passar para poder ir embora, que não se prestou a alguns detalhes. – ela me surpreendia a cada palavra proferida, era difícil imaginar aquela mulher, bebendo aquele champanhe e se dando ao capricho de estar me observando.
Ela deixou sua taça em cima do parapeito, me olhou, deu um sorriso, e chegou bem perto. Um pouco mais baixa que eu, mas muito pouco devido ao salto alto. Dessa vez foi até meu ouvido e disse baixinho.
- Por que você não me beija?
Eu já não sabia o que fazer, estava meio a um bombardeio de situações e pensamentos que por final não me ajudaram em nada, era surpreendido a todo instante. Ela então direcionou seu olhar para meus lábios e fez o que eu queria ter feito assim que a vi. Me beijou, de forma romântica e sexual, um beijo memorável acompanhado de um perfume suave, uma pele macia, uma verdadeira conquistadora. Eu com as mãos na sua cintura, pode sentir sua respiração mais forte. Assim que decidiu parar, abaixou a cabeça e foi até sua taça de champanhe que estava vazia.
- Vou buscar mais champanhe, você quer alguma coisa?
- Não obrigado. Posso esperar você aqui? – perguntei.
Ela não disse nada, só deu um sorriso, pegou a taça e foi em direção a festa que já não estava tão cheia assim. Enquanto eu fiquei ali parado, pensando no rumo que as coisas tomariam; no final das contas aquela festa aparentemente chata e sem graça, havia virado umas das melhores que já fui.
Olhei no relógio e já havia se passado um bom tempo, desde que ele entrou para buscar sua bebida. Olhei para o salão, pouquíssimas pessoas e garçons já não estavam servindo. Procurei no salão com os olhos, não estava lá. Eu devia ter adivinhado, ela foi embora na mesma hora em que disse que buscaria o tal do champanhe.
Para mim não restava muita opção, não sabia o nome dela, ou qualquer outra coisa que pudesse me levar até ela. Achei melhor ir para casa, assistir o jornal da noite.

(Danilo Henrique)
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Anos 90


As vezes começamos do jeito errado, mas no final o otimismo permite, nos ajuda a continuar a busca pelo certo, sempre com uma gota a mais para beneficio próprio é claro, sorrindo enquanto outros choram. O ideal seria pensar em todos de forma plaina, igual, e não como em uma balança. A verdade é que isso não acontece, podem-se haver casos, claro, as exceções ainda existem e no mundo real isso é apenas uma mera coincidência.
O ideal é começar pelo começo, o principio na maioria das vezes pode ser incerto, e isso acaba se tornando um enigma. Mas reforçando o pensamento, buscando lembranças, consigo buscar sentidos. Acredito que tenha sido pelos meus quinze anos. A era das flores adolescentes, hormônios, lagrimas, angustias, sorrisos, olhares, onde tudo é um ápice de emoções, de descobertas, enfim; no final das contas existe uma senhora culpada e causadora de todos esses transtornos juvenis, e essa tinha um nome fascinante e atraente como a própria, singular e original, eu particularmente adorava, gostava, achava perfeito para seu rosto e seu humor que acompanhava lindos cabelos loiros e sutilmente lisos, definitivamente atraente, bastante atraente. Poderia pensar que apenas a achava tão perfeita, mas não, de jeito nenhum, ela sempre havia sido muito cobiçada, por olhares que  cruzavam seus olhos nos corredores estreitos da escola, na sala de aula, onde eu mesmo me pegava fazendo isso, vivia a observar seu nariz pequeno, sua boca rosada, queixo fino, bochechas levemente avermelhadas pelo fato de viver sorrindo, dentes a mostra; brancos. Suas bochechas tinham aquele furinho por assim dizer charmoso, definitivamente era um charme, e o melhor de tudo, lindos e sublimes olhos verdes, grandes, vivos, sempre atentos. Retribuía olhares a quem conquistasse sua atenção, permanecendo com este vidrado até a desistência daquele que teimava em continuar olhando, gostava de jogar, sabia o poder que tinha e sabia usa-lo. O melhor disso é que a gente tinha uma amizade, tinha algo até mais que isso, num sei o real motivo de não ter dado em nada. Meus estranhos hábitos; sempre tímido e demonstrando que estaria ali na hora em que ela precisasse, acredito que foram colaboradores, talvez a mesma idade atrapalhasse também; mulheres são sempre mais velhas psicologicamente que os homens nessa fase, isso é fato. Talvez pensasse que eu fosse infantil ou apenas um amigo e nada além disso, sendo que também existe aquela “magia” que faz a gente imaginar que a adolescência nunca vai acabar, que sempre vão existir amores, olhares, falta de preocupação e falta de tomar iniciativas. Dentre todos esses episódios, o que mais me interessa é que nós nunca tivemos nada, nem um romance ou quem me dera; um simples e inocente beijo. Apenas uma coisa suprima todo o resto, que a meu ver era especial e só se consegue sentir nessa fase; a sensação única e singular de “gostar de alguém”, sentimento inocente e novo que só vem uma vez. Não há cobrança ou ciúmes, apenas vontade de estarmos perto, isso supre o desejo de algo mais.
A lembrança é muito agradável, nos ajuda a recordar não só de momentos ou pessoas, mas de sentimentos e modos que não se sente quando se está consolidado ao um novo meio de vida.
A verdade é uma só; essa foi à maneira que deixei uns dos meus mais inocentes amores ir embora, sem malicia ou pretensão, apenas por que tinha que ser assim, junto dela eu deixei os meus vídeos games, meus amigos de sala de aula, meu quarto, meus CDs, minha bicicleta dentre tantas outras coisas que o tempo absorve. Não é evidente o que devemos de fato estar fazendo em relação a isso pois quando nos damos conta, só estamos com saudade, e mais nada. No geral; o passado no fundo deixa as pessoas mais felizes, não é só dela que sinto falta, ou do primeiro olhar que trocamos meio aos corredores da escola, é de um todo, de uma época, que no meu pensamento foi exclusiva.
A nostalgia é o sentimento mais agradável que consegue sentir; deixa uma felicidade frágil e levanta um sorriso no rosto casando pelo tempo. Confesso que se eu pudesse, daria essa infância para meus filhos.

(Danilo Henrique – 31/10/2010)

 
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