Dissertação argumentativa sobre o conto de
Alcântara Machado; "Apólogo Brasileiro sem Véu de Alegoria". (Trab. de facu)
link do conto: http://www.releituras.com/amachado_apologo.asp
Tão necessária
e quase indispensável, a luz, ou a falta dela para ser mais exato, proporcionou
uma confusão dentro do conto do nosso querido autor Alcântara Machado, que ao meu
ver, indo mais a fundo; não foi só a falta de luz ou o simples comentário de um
cego que causou tal "arranca-rabo" dentro de vagões do trem que
seguia de Magoarí para Belém, foi além de
tudo a falta de conforto expressado pelos personagens no interior dos vagões
que nem luz se quer havia para iluminar as pobres vivas daquelas pessoas.
Pode-se constar também a falta de tratamento humano para com o próximo que é
bem descrito no conto.
A ironia do conto talvez seja o
ponto alto do autor, pois a pessoa menos interessada no real motivo da
confusão, o cego, que não notaria claridade ou escuridão, é que desencadeia uma
confusão dentro do trem, jogando a primeira pedra para que outros passageiros
se sentissem impulsionados a fazer algo a respeito, não que esse "fazer
algo a respeito" fosse resolver o problema, mas em primeira instância era
o que se tinha a fazer; revoltar-se contra a falta de conforto, a falta de
valia para com eles que além de mal transportados, eram levados na escuridão da
noite no balanço indeciso dos vagões daquele trem.
João Virgulino passageiro e um
dos personagens argumentava o que fazer, explorava as opções e logo indagava
outros passageiros perguntando o que fariam a respeito daquela situação escura
e de trevas, um deles deu a opção de matar o chefe do trem e João logo rebateu
que assim como eles o chefe do trem era pobre e não fazia sentido matá-lo,
outro logo em seguida teve a idéia de se fazer uma passeata com banda e
discursos, mas João Virgulino já em contrapartida disse que aquilo iria custar
dinheiro, então sem mais opções, o próprio João rasga o banco de palhinha do
vagão onde está e joga pela janela. As pessoas já exaltadas pela falta de luz
acompanham João em seu ato de rebeldia e insatisfação, zombando e gritando
enquanto praticam sua revolta.
Após não restar um banco de
palhinha para contar a historia, o trem chega a seu destino e o ato é
deflagrado na cidade, todos ficam sabendo, sai na mídia local, em jornais e
cartazes: "Os passageiros no trem de
Magoarí amotinaram-se jogando os assentos ao leito da estrada." Como a
noticia percorreu a cidade, as autoridades não podiam deixar tal evento passar
despercebido, então o delegado instaurou um inquérito onde foi procurar tal
responsável pelo ocasionado. Perguntou a vários passageiros, mas somente um se
propôs a falar sobre, tinha a bíblia no bolso e se declarava protestante.
Perguntado para ele quem havia iniciado o motim, o mesmo logo foi dizendo: foi
um cego!
Sem tempo para explicar foi levado ao xadrez, uma vez que; com autoridade não
se brinca.
Como um cego poderia ter iniciado um motim
reclamando a falta de luz? Essa é a pergunta chave do conto. Todos nos sabemos
que cego não vê luz, por que um desses se revoltaria contra a falta da mesma?
Aos que buscam resposta, deixo minha opinião com
base não só no conto mas em inúmeros casos antigos e atuais, onde existem
pessoas que lutam em prol de um objetivo, buscam um direito coletivo que não
lhes é dado.
A injustiça ocorreu no texto quando levam o protestante
que só disse a mais pura verdade; podemos tirar exemplo de injustiças
cotidianas do nosso transporte publico, ou no simples ato de se falar a
verdade, ou ainda no ato de "dedurar" o próximo, aquele que iniciou
algo para o bem não só dele próprio, mas do "dedurador" inclusive, acaba
sendo entrega a aqueles que não ligam para a falta de luz no transporte,
querendo apenas a cabeça daquele que começou a barbaria.
Hoje lutamos pelo mesmo objetivo, em patamares
diferentes claro, mas com o fundo propósito de luz, conforto ou direitos no mínimo
iguais ao demais que ocupam melhores cadeiras. Se prossegue devagar, mas ainda
assim se prossegue.
O personagem João Virgulino é altamente importante
como o cego que nem nome tem, apenas usa um óculos azul e tem interesse em
política, dando a feição de uma pessoa informada e despojada. Ambos personagens
provocam os dois altos do texto; um indigna-se com a falta de luz mesmo estando
no escuro e o outro a iniciativa de levar aos demais coragem o suficiente para
se rebelarem contra aquela situação hostil. Por mais que seja um conto ou um
fato isolado, a maneira como é narrado dentro de um contexto histórico e real
para a época nos deixa a imaginar com fundos de verdade que o conto é
significativo para um antigo retrato do pais e por que um retrato verídico. Ele
expõe verdades tão atuais como injustiça, revolta e além de tudo brasilidade.
link do conto: http://www.releituras.com/amachado_apologo.asp

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